Nota de esclarecimento

Fui uma das muitas vítimas da ditadura militar instaurada em 1964. Fui sequestrado e brutalmente torturado duas vezes, primeiro em 1969 e depois em 1974. Hoje, me espanto muito com a iminência da eleição de um candidato que idolatra torturador e que diz que “o grande erro (da ditadura) foi torturar e não matar”.

No último fim de semana, declarei em um show no interior da Bahia que o general Mourão era um dos torturadores da época em que fui preso. No entanto, esclareço que o o candidato a vice-presidente da chapa de Jair Bolsonaro não estava entre os militares torturadores. Peço desculpas pelo equívoco e reafirmo minha opinião de que não há espaço, no Brasil de hoje, para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e que cerceia as liberdades individuais e de imprensa.

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2018
Geraldo Azevedo