Anos 70

1970 01

Alceu Valença chega ao Rio. Geraldo já o conhecia de vista, das plateias de seus shows em Recife. Os dois logo ficam amigos e compõem sua primeira música juntos, “Talismã”, que foi censurada pela ditadura. Juntos, participam do IV Festival Universitário da MPB com as músicas “78 Rotações” e “Planetário”.

Participam também do Festival Internacional da Canção com “Papagaio do Futuro”, ao lado de Jackson do Pandeiro. A notável apresentação rende o convite da gravadora Copacabana para gravar o disco de estreia da dupla: Geraldo Azevedo & Alceu Valença. O primeiro LP gravado na tecnologia quadrafônica.

Geraldo Azevedo é convidado para a direção musical do longa “A Noite do Espantalho” (1974), de Sérgio Ricardo, o primeiro filme dramático brasileiro baseado em uma estrutura musical. Além disso, atua no papel de Severino. Foi para este papel que deixou a barba crescer. Desde então, nunca mais tirou.

Geraldo compõe “Caravana”, trilha da novela de sucesso “Gabriela Cravo Canela”, da TV Globo.

Em 74, é preso pelo governo militar de Geisel ao lado da esposa grávida de seu segundo filho, que logo é solta. Geraldo é duramente torturado. Em um dos interrogatórios o colocam para tocar violão. Ele então é salvo das torturas pela música, sendo obrigado a tocar e cantar para os torturadores repetidas vezes.

Após ser solto, trabalha na direção musical da peça “Lampião no Inferno”, de Luiz Mendonça. Conhece Elba Ramalho

Geraldo continua compondo para TV. Duas de suas músicas entram na novela “Saramandaia”, da TV Globo: “Malaksuma” e “Juritis Borboleta”, em 76. No ano seguinte, escreve “Arraial dos Tucanos” para o folhetim infantil da TV Globo “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Sua música “O Menino e os Carneiros” entra na novela “Sinhazinha Flô”, da TV Globo.

Em 76, lança seu primeiro disco solo: “Geraldo Azevedo” (Som Livre), apresentando entre outras faixas, os sucessos “Caravana”, “Barcarola do São Francisco” e “Em Copacabana”.

É convidado pela CBS para gravar um novo trabalho. Lança o LP “Bicho de Sete Cabeças” (1979), com participação de Elba Ramalho na música título do disco. Dona Nenzinha grava “Natureza Viva” ao lado do filho. “Taxi Lunar” e “Bicho de Sete Cabeças” estão entre as melhores canções do álbum, que apresenta um compositor mais amadurecido. Esses dois sucessos são, invariavelmente, incluídos em todas as suas apresentações ao vivo, atravessando gerações.

Geraldo participa do projeto Kalunga, em que um grupo de 65 pessoas – entre artistas, produtores e técnicos – liderado pelo cantor e compositor Chico Buarque e pelo produtor Fernando Faro, parte do Rio de Janeiro para Angola, país em Guerra Civil, para realizar shows em três cidades: Luanda, Benguela e Lobito. O intercâmbio demonstra um intenso diálogo político e musical entre os dois países.