50 anos de composição

José Amorim jamais poderia imaginar que presentear o seu quarto filho de 5 anos de idade com um violão seria um ato fundamental para a música popular brasileira. Autodidata, o menino cresceu e se tornou um dos maiores expoentes da nossa música e da cultura nordestina. Suas canções ecoam por diversas gerações e se fazem presente na memória do país.

Geraldo AzevedoE como ecoam! Neste ano, completa-se 50 anos desde que as cordas do violão de Geraldo Azevedo começaram a soar composições próprias. Com uma inspiração incansável, nesse tempo, ele construiu uma gama de sucessos, cantou os amores, o cotidiano, as lutas e a repressão, pés dançaram ao som de suas melodias e corações bateram seguindo os compassos.

A carreira de compositor começou em 1967, quando compôs o frevo “Aquela Rosa”, sua primeira música completa com Carlos Fernando, seria o início de uma parceria longa que gerou belos frutos, nutrindo a música brasileira com sua riqueza poética e melódica. Seus traços sensíveis construíram a identidade marcante desta parceria. É clara a sintonia entre cada nota e palavra, que transpiram uma forte tradição ao mesmo tempo que abarcam elementos de outros gêneros musicais

Naquele ano, “Aquela Rosa”, inusitadamente, foi gravada por Teca Calazans, cantora que tinha fortes influências da bossa nova. O arranjo não contou com o tradicional coro feminino e, além disso, a letra não é um mergulho tão profundo no passado, como o gênero costuma retratar. Essa seria a primeira gravação de uma música de Geraldo Azevedo. Além disso, ela também dividiu o primeiro lugar do 2° Festival de Música do Nordeste com a canção “Chegança de Fim de Tarde” de Marcus Vinicius de Andrade.

Ainda no ano de 1967, Geraldo Azevedo, já considerado um grande violonista em Pernambuco, recebeu um convite da cantora Eliana Pittman para acompanhá-la em seu show “Eliana em tom maior”, no Rio de Janeiro. Geraldo resiste, mas acaba por aceitar.  Muda-se para a cidade maravilhosa e lá a sua carreira deslancha.

Geraldo e Carlos Fernando foram alguns dos responsáveis por levar o frevo para além de Pernambuco e o incluir à chamada MPB. Nada mais emblemático do que o fato de terem começado as carreiras com um frevo-bloco.

Geraldo Azevedo fala sobre a composição. Assista!